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Detentos do Complexo Penitenciário Nelson Hungria recebem diploma do Ensino Médio

“A educação é o único caminho para a libertação”. Foi parafraseando o filósofo Immanuel Kant que o diretor-geral do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, William Abrete, parabenizou a turma de formandos no Ensino Médio. Trinta e cinco presos da Unidade receberam o diploma. O evento aconteceu no auditório do Complexo e contou com a presença de familiares, agentes de segurança, servidores e professores.

Há nove anos dando aula na Unidade, o professor de Filosofia Haidemar Chaves Souza foi escolhido para receber uma homenagem dos alunos. O sorriso estampava a felicidade no rosto. Para ele, ser educador é ter uma das maiores profissões do mundo. “Acompanhei-os por muito tempo e, receber essa homenagem, me deixou muito emocionado e realizado. Eu não esperava. Procuro sempre levar esperança e otimismo nas minhas aulas. Uso coisas lúdicas para que eles se interessem e abuso da criatividade para ensiná-los. Acho que tem dado certo”.

Entre as convidadas estava Eva Anunciação Martins, que é madrinha do preso Bruno de Souza Ferreira. Ela não via o afilhado há quase uma década e caiu em lágrimas ao vê-lo receber o canudo. “A mãe dele já faleceu e o pai não pôde vir. Eu sou a única que conseguiu prestigiar esse momento. Estou muito feliz por reencontrá-lo e ainda mais dessa forma: vendo que ele quer mudar”.

Segundo a diretora da Escola Estadual Paulo Freire, instalada dentro da unidade prisional, Valdicéia dos Santos Paviône, a concretização dessa experiência tão rica e humana seria impossível sem o trabalho e esforço de todos os envolvidos. “Sabemos que a caminhada não é fácil. Porém, com a persistência, paciência e amor, os desafios são superados a cada dia. Nossos docentes possuem a nobre e grandiosa função de proporcionar liberdade pela educação. Aos presos, eu só posso parabenizá-los por escolherem fazer diferente. Eles são vencedores, e espero que enfrentem de cabeça erguida todas as batalhas que virão. Que não desistam de se colocar em prol de uma humanidade mais justa”.

Há três anos no Complexo e com uma pena de 32 anos e seis meses para cumprir, Márcio Marcelino Freire entrou com o objetivo de aproveitar esse tempo para estudar e trabalhar, oportunidades que ganhou na Unidade. Ele contou que a formatura foi a realização de um projeto. “É muito bom recomeçar. A vida é feita de recomeços. Nós que estamos aqui presos, por crimes que cometemos no passado, não precisamos sair daqui da mesma maneira. Por isso, o Estado está nos dando a oportunidade de sairmos ressocializados. E a ressocialização começa na educação, que tem o poder de nos mudar”.

Na Escola Estadual Paulo Freire, 300 presos estudam nas modalidades de Alfabetização e Ensino Médio por meio do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). As salas ficam dentro dos pavilhões, e as aulas acontecem das 14h às 18h30. Outros 25 detentos fazem o Ensino Superior à Distância, nos cursos de Administração, Ciências Contábeis, Turismo, Logística e Gestão Financeira. Os presos precisam ser aprovados pela Comissão Técnica de Classificação da Unidade (CTC) para estudar. Ela é composta por profissionais das áreas de segurança, psicossocial, jurídica e de saúde.

 

Por Fernanda de Paula

Crédito fotos: Fernanda de Paula/ Ascom-Seap

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