Transitando apressadamente pelo túnel que liga o prédio Minas ao Centro de Convivência da Cidade Administrativa, a servidora pública Rachel Oliveira encontrou tempo para reservar uma pequena mesa com quatro cadeiras, apropriadas para crianças. “Por indicação de uma amiga, hoje eu consegui vir à feira e comprar o móvel. Eu tenho uma filha de quatro anos e adorei a riqueza de detalhes da peça”. A feira é chamada de “Mãos que Criam” e acontece uma vez a cada dois meses nesse mesmo local. Ela mostra e vende trabalhos produzidos por presos de unidades administradas pela Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP).
A feira, que é organizada pela Diretoria de Trabalho da Subsecretaria de Humanização e Atendimento, trouxe nesta quarta-feira, dia 14 de junho, peças variadas que vão do artesanato feito a partir de palitos de picolé, passando por bolsas e tapetes confeccionados em crochê, até móveis de alto padrão, com design contemporâneo.
A empresa Traço Forma funciona desde o ano passado em um galpão, na Penitenciária José Maria Alkimin. Atualmente, emprega cinco presos do regime fechado da unidade. Segundo Ruth Fernandes, diretora da firma, a maioria dos pedidos é por encomenda e, apesar do pouco tempo no mercado, a empresa já foi responsável pelo projeto mobiliário de duas lojas em Belo Horizonte e uma em Salvador. “O modelo de parceria entre a empresa e a penitenciária é interessante, porque possibilita a diminuição de custos com aluguel, por exemplo. E, em contrapartida, emprega e capacita os presos que, após o cumprimento da pena, sairão do Sistema com uma profissão.” .
Nesta edição da feira, o Presídio de Abaeté trouxe tapetes, cachecóis, bolsas femininas produzidas em crochê por presos da ala masculina. E peças de artesanato, como bonecas e telhas decorativas, desenvolvidas pelas detentas do pavilhão feminino da unidade prisional.
Segundo a psicóloga Graciele Lopes, envolvida diretamente com a produção dos custodiados, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), do município de Abaeté, disponibiliza profissionais que instruem os presos na elaboração dos artigos. “Os recursos arrecadados com as vendas na feira servem para comprar material e dar continuidade ao projeto”, explica a psicóloga, que também avalia como positivo o fato de os trabalhos acontecerem fora das celas, propiciando uma mudança de ambiente, o que contribui para o equilíbrio dos internos.
A Assistente Executiva da Diretoria de Trabalho da Subsecretaria de Humanização e Atendimento, Danielli Figueiredo Motta, ressalta a importância da feira “Mãos que Criam” como sendo um espaço no qual a produção realizada nas unidades prisionais ganham notoriedade. “Normalmente, as famílias dos presos são responsáveis por trazer insumos e vender os produtos. A feira amplia o processo e dá visibilidade para o que tem sido fabricado, possibilitando, inclusive, a captação de novos clientes e possíveis investidores”.
Por Rangel de Oliveira
Créditos foto: Rangel de Oliveira/Ascom - Seap