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Mulheres da SEAP - aqui Elas também mandam (1° parte)

Em um ambiente predominantemente masculino, as mulheres da Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP) se destacam em importantes cargos da pasta. Atualmente, 345 mulheres trabalham pela secretaria na Cidade Administrativa, são 133 Agentes de Segurança Penitenciárias, 85 Assistentes Executivas, 75 Analistas Executivas, 32 em recrutamento amplo, nove Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, cinco Auxiliares executivas, uma Gestora Governamental e uma  Professora de Educação Básica.

Elas podem até ser minoria entre os servidores da SEAP, mas ocupam lugares estratégicos e de extrema importância na gestão da Secretaria. Confira abaixo a história e trajetória profissional dessas grandes mulheres que fortalecem o Sistema Prisional.

Ana Louise de Freitas Pereira - Diretora de Gestão de Pessoas

Desde 2017 é diretora de Gestão de Pessoas, onde comanda uma equipe de 19 profissionais, dos quais 12 são mulheres. Segundo ela, nesse tempo de trabalho na Secretaria presenciou uma crescente evolução na participação da mulher em cargos de liderança, mas ainda há muito espaço para ser conquistado.

“Como gestora em um Sistema predominantemente masculino, com inúmeros costumes, normas e procedimentos, os desafios são muitos. Mas acredito que o maior deles foi, e continua sendo, a conquista da admiração e do respeito dos outros gestores, para que me enxerguem como uma profissional tão competente quanto eles, com conhecimento e sabedoria para discutir o trabalho e as tomadas de decisão de igual para igual.

Acredito que a chave para o alcance de todos os nossos objetivos é determinação, garra, força de vontade e respeito. Com esses princípios, consegui conquistar o meu espaço.

Nós mulheres estamos cada vez mais qualificadas e temos uma vantagem competitiva, que é a facilidade de gerenciar com perfeição, os desafios de conciliar vida pessoal com a profissional. Ainda há muito espaço para ser conquistado, mas acredito que estamos no caminho certo!”, enfatiza Ana.

Judsônia Pereira dos Santos Curte - Diretora de Assistência à Família

Há 28 anos no Sistema Prisional, entrou como auxiliar administrativa no antigo Centro de Reeducação de Contagem, atual Complexo Penitenciário Nelson Hungria. Começou como secretária do Chefe de Segurança (equivalente ao Diretor de Segurança), e se encantou ao conhecer o trabalho das assistentes sociais, o que a motivou a fazer um curso superior na área. Foi a primeira estagiária de Serviço Social da unidade prisional, onde trabalhou por 22 anos,  tornando-se diretora de Atendimento e Ressocialização nos últimos quatro anos em que atuou no Complexo.

Também trabalhou como assistente social no Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, e hoje, é Diretora de Assistência à Familia, coordenando uma equipe de 13 servidores, que auxiliam todos os Núcleos de Assistência à Família (NAF) do Estado.

É formada em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, Especialista em Estudos de Criminalidade e Segurança Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestre em Educação Tecnológica, com ênfase em Gênero e no Sistema Prisional, pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET MG).

Judsônia relata que enfrentou desafios por ser mulher desde o início, algo que infelizmente ainda se mantém. “O tempo todo somos provadas por ser mulher. Questionam sempre nossa competência, nossa credibilidade, nossos conhecimentos”. Mas destaca que os desafios a tornaram mais forte:

“Era muito jovem, não tinha muito conhecimento sobre o serviço público, nem maldade. Desse modo, passei por inúmeras situações que, apesar de difíceis, foram responsáveis por minha formação profissional. Muitas dessas situações me levaram a desenvolver uma postura de enfrentamento às injustiças e a socorrer e auxiliar outras pessoas para que não necessitassem passar por tudo aquilo que passei. A invisibilidade feminina é também outro grande desafio. Foi preciso estudar muito para começar a ver algum tipo de reconhecimento pelo meu trabalho.

Mesmo mais experiente, sempre somos surpreendidos com novas injustiças e novas formas de discriminação. Viver é um desafio diário. É preciso muita coragem para seguir adiante e não esmorecer.

Ter voz. Ser ouvida e conseguir que meus argumentos sejam aceitos, mesmo estando certos. Ter que provar o tempo todo que se é competente tanto quanto os homens que ocupam os mesmos cargos ou cargos inferiores é um grande desafio. Você sempre tem que apresentar primeiro o seu currículo profissional para depois ser ouvida.

Quero deixar o mesmo conselho que recebi. Estudem, adquiram conhecimento, se atualizem. Nunca aceitem que lhes digam que vocês não são capazes ou que suas ideias não significam nada. Acreditem no potencial que existe dentro de cada uma, pois somos muito mais do que dizem que somos.

A vida é feita para ser desafiada em todos os momentos e as mulheres construíram o Sistema Prisional tanto quando os homens. Precisamos fortalecer nossa história”.

Luiza Hermeto Coutinho Campos – Assessora Chefe de Planejamento

É especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, formou-se em Administração Pública pela Escola de Governo da Fundação João Pinheiro. Entrou como estagiária na antiga Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS) em 2009, se efetivando em 2011. A escolha da profissão veio do fascínio de prestar um serviço para a sociedade: “Não conseguiria trabalhar numa empresa que só pensa no benefício próprio em detrimento do bem público”.

Na SEDS, trabalhou na Subsecretaria de Integração do Sistema de Defesa Social, na Assessoria de Gestão Estratégica e Inovação, foi Assessora do Secretário Adjunto de Defesa Social e diretora do Programa de Inclusão Social de Egressos do Sistema Prisional. Em outubro de 2016 assumiu a Assessoria de Planejamento da Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP), onde comanda uma equipe de sete servidores.

Um dos desafios que enfrenta até os dias de hoje na SEAP é a dificuldade de ter seu trabalho reconhecido por ser funcionária de carreira da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG). Mas é algo que vem mudando, “com o passar dos anos e com o trabalho essas barreiras vem sendo derrubadas e as relações de confiança estreitadas”.

Luiza também alega ter sofrido preconceitos por ser mulher. “Muitas vezes estar numa posição de chefia leva os outros a pensar que essa conquista não veio por méritos próprios, mas sim por ser mulher ou pelas atribuições físicas. É uma luta diária quebrar esse preconceito na cabeça das pessoas. Busco reconhecimento e respeito pelo meu trabalho, fazer as pessoas entenderem que a minha posição foi uma conquista de trabalho árduo e qualificação profissional.”.

E deixa um aviso para as mulheres que almejam crescer na carreira:

“Trabalhem muito! Com o tempo, as pessoas vão perceber que sua posição independe do seu sexo ou atribuições físicas, mas são apenas reflexo do seu trabalho”.

Louise Bernardes Leite – Superintendente de Atendimento ao Privado de Liberdade

Formada em Direito e Especialista em Ciências Penais pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas, escolheu a profissão por amor a leitura e influência da família.

Em agosto de 2014, foi convidada pelo então secretário de Estado de Defesa Social, Marco Antônio Romanelli, para assessorá-lo no gabinete. Em 2015, foi cedida para o Judiciário, onde ficou por cinco meses. Retornando para a antiga SEDS, em maio do mesmo ano, para assumir a Superintendência de Atendimento ao Preso. Na SEAP, manteve-se no cargo, com mudanças de atribuições.

Atualmente, comanda uma equipe de 54 servidores alocados na Cidade Administrativa e também as equipes de atendimento de todas as unidades prisionais do Estado. Assim como Luiza, Louise enfrenta problemas por não ser de carreira efetiva e ocupar um cargo de chefia numa secretaria masculinizada.

“É um grande desafio diário passar segurança e determinação para os demais, afim de que tenhamos respeito e efetividade nas ações. A autoestima é nossa arma. Ame o que você faz que a segurança vem e, consequentemente, o respeito e compromisso de todos para com sua gestão. Deixo uma frase da Clarice Lispector: Todas as manhãs ela deixa os sonhos na cama, acorda e põe a roupa de viver. ”, finaliza Louise.

 

Por Fernanda de Paula

Fotos: Bernardo Carneiro

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