Músico que já passou 13 anos atrás das grades dedica parte do seu tempo levando a sua história de superação para unidades prisionais.
Música, literatura e um convidado especial fizeram da tarde desta sexta-feira, 04.05, um sopro de cultura no Presídio de Poços de Caldas, no Sul de Minas. O 13° Festival Literário de Poços de Caldas (Flipoços), um dos mais importantes do país, levou o rapper Dexter para dar uma palestra dentro da unidade prisional por meio do Circuito Pegada Literária. Cerca de 150 presos participaram do evento, que aconteceu no pátio do banho de sol. O cantor, que ficou por 13 anos preso, viaja pelo Brasil com o seu projeto “Como vai seu mundo”, no qual visita unidades prisionais apresentando suas músicas e dando palestras sobre superação.
Para a diretora adjunta do presídio, Monique Xavier, essas iniciativas melhoram o ambiente carcerário. "Nós entendemos que as pessoas que estão privadas de liberdade devem ter acesso à cultura e a outros valores positivos. A música e a leitura possibilitam perspectivas diferentes e o investimento no ser humano deve ser sempre empregado, indistintamente".
O evento proporcionou um encontro exclusivo entre o detento Cristopher Jhonnatans Vieira, de 25 anos, e o rapper Dexter. Cristopher fez um rap e pediu ao cantor algumas dicas. Sua música participará do Festival da Canção Prisional (Festipri), etapa Sul de Minas, que acontecerá no próximo dia 19, em São Lourenço.
Já é a terceira vez que o Flipoços tem parte da sua programação realizada dentro do presídio. Cerca de 100 presos prestigiaram as ações anteriores. Na primeira, a unidade recebeu a contadora de histórias e escritora Rosana Montalverne, que leu algumas de suas obras e possibilitou momentos de reflexão para os detentos. Na segunda edição, uma artista plástica ensinou e preparou os custodiados para um concurso de desenhos, no qual deveriam dar a um conto, pré-selecionado, um novo final por meio de uma ilustração. Depois da competição, os trabalhos foram expostos em uma escola da cidade.
Segundo a coordenadora do festival, Maíra Carvalho, o objetivo é levar cultura a pessoas que muitas vezes não têm acesso. “Nosso desejo é que os presos possam perceber que o mundo também pode oferecer chances diferentes daquelas as quais estão acostumados. Como o Dexter já teve essa vivência e possui muitos projetos relacionados ao sistema prisional e socioeducativo e, por ser uma pessoa que viveu o que eles estão vivendo e que hoje vive da música e da arte, achamos interessante convidá-lo.”
Remição Pela Leitura
Desde janeiro de 2015 a unidade prisional executa o projeto Remição Pela Leitura. No atual semestre, 145 presos estão inscritos no programa, que conta com 800 livros disponíveis para empréstimo. A iniciativa partiu do professor da Pontifícia Universidade Católica de Poços de Caldas, Davidson Sepini, que procurou a direção da unidade com a proposta de instalar o projeto no local.
O diretor-geral do presídio, Adriano de Souza, apresentou a ideia ao juiz da Comarca, que aprovou a sua realização. Desde o início, a ação sempre contou com o apoio da universidade, e se tornou um projeto de extensão com estagiários bolsistas e verba para compra de materiais de escritório utilizados.
No início, apenas seis presos participavam do projeto, mas o Remição Pela Leitura foi se expandindo e a intenção é que alcance todos os presos da unidade prisional. Além de Poços de Caldas, a inciativa chegou aos presídios de Andradas, Botelhos e Pouso Alegre. A previsão é que o projeto chegue também às unidades prisionais de Campos Gerais e Piumhi.
Por: Fernanda de Paula
Foto: Divulgação Seap